sábado, 29 de abril de 2017

A VISÃO MARXISTA DO ESTADO E DEMOCRACIA EM ‘CRÍTICA À FILOSOFIA DO DIREITO DE HEGEL’


          Atualmente, muitos estão escandalizados com o grau de descumprimento de vários preceitos constitucionais, os excessos jurídicos, a grave situação da democracia, o aumento da repressão policial entre outras preocupações existentes na sociedade brasileira. Por trás delas, uma verdadeira ‘fé’ no chamando ‘Estado Democrático de Direito’, nas instituições republicanas que temos e nos princípios legais conquistados pela nossa última ‘Carta Magna de 1988’, a Constituição Cidadã, como é conhecida.
            Por outro lado, os ortodoxos defensores da ‘legalidade’ creem que a atual ordem jurídica do Estado brasileiro pode se resolver com modificações no aparelho estatal, impondo um regime rigoroso de controle, disciplina e investigação permanente, particularmente sobre as organizações políticas e seus representantes eleitos sob a palavra de ordem: ninguém está acima da lei! As elites, os corruptos e seus partidos que governam (mesmo aqueles que se venderam aos ricos empresários), se arrogam em atacar as  perseguições e mitificar as instituições democráticas, tendo utilizado todas as artimanhas para se beneficiar da posição privilegiada que ocupavam (e ainda ocupam a imensa maioria deles)  nos altos escalões da república.
O entendimento mais profundo desse debate é encontrado na obra marxista “Crítica à Filosofia do Direito de Hegel”, escrito em 1843. À época Karl Marx renunciava as visões hegelianas, criticava-as, e formatava uma concepção profunda sobre a sociedade. Sua visão era extirpar todos os preconceitos religiosos e míticos existentes no pensamento filosófico alemão a partir do modelo dialético hegeliano, resultante da crítica à metafísica anterior. A obra arranca de Hegel toda uma sistemática concepção do Estado e sua Estrutura, Direito, Estamentos e da Sociedade Civil, mas lhe impõe uma profunda crítica da visão mítica da sua ‘filosofia especulativa’, a qual partia do pressuposto de que a ‘IDEIA’, sua evolução, seu desenvolvimento e suas contradições, etc, moldavam a essência da realidade.
Assim, o pensamento de Marx adquire uma importância fundamental na crítica às velhas idéias seguidistas, crendices e míticas de um ‘Estado do Povo’ ou um ‘Estado a serviço de todos’, uma ‘democracia pura’ construída na evolução pacifica apenas dos debates das idéias, e seus reflexos nas instituições. Nele fica muito clara toda à sua concepção revolucionária da sociedade. O livro é um verdadeiro passo-a-passo, utilizando inúmeras passagens do livro ‘Princípios da Filosofia do Direito’ de Hegel, desmitificando cada parte, bem como reconhecendo os avanços trazidos pela visão dialética.

A SOCIEDADE CIVIL, DEMOCRACIA E CONSTITUIÇÃO POLÍTICA

            Sempre somos instados a ver no Estado e seus dirigentes nossos representantes. Pelo fato de serem eleitos, deveriam pois representar o interesse de todos. Isso ocorre porque existe uma separação entre a Sociedade Civil (forma organizada do povo não estatal, privado), a outra organização privada da sociedade, a FAMÍLIA e o aparelho ESTATAL, sua burocracia e instituições. Hegel entende a Sociedade Civil e a família como ‘partes do Estado’, divididos apenas pelo conceito e não pela realidade como tal.
            Marx afirma: Família e Sociedade Civil são apreendidas como esferas conceituas do Estado e, com efeito, como as esferas de sua finitude, como sua finitude. É o Estado que nelas se divide, o que as pressupõe; e ele o faz, em verdade...A ideia é subjetivada e a relação real da família e da sociedade civil com o Estado é apreendida como sua atividade interna imaginaria. Família e Sociedade Civil são os pressupostos do Estado; elas são os elementos propriamente ativos; mas, nas especulação, isso se inverte”. Mais: “Não é o seu próprio curso de vida (Sociedade Civil e Família) que as une ao Estado, mas é o curso da idéia que as discerniu de si; e, com efeito, elas são a finitude dessa ideia; elas são determinações postas por um terceiro, não autodeterminações”.(Págs 35 e 36)
            Em outras palavras, para o pensamento marxista foi o próprio desenvolvimento interno da organização social que gerou essa separação e não o desenvolvimento conceitual ou imaginário dessa sociedade. Essa é sua aparência, reflexo do real. Naturalmente, ao pensar assim, Marx afirma sobre Hegel “A pura idealidade de uma esfera real só poderia, contudo, existir como ciência...O importante é que Hegel, por toda a parte, faz da Ideia o sujeito e do sujeito propriamente dito, assim como da disposição política, faz o predicado. O desenvolvimento prossegue, sempre do lado do predicado”. (pag 38)
Posteriormente, em outras obras, Marx prova que o processo de separação entre sociedade civil, família e Estado se deu no processo do desenvolvimento da vida econômica, nas suas contradições internas. O produto conceitual é resultado, naturalmente, disso, e não o inverso. As instituições políticas são produtos passivos da sociedade, resultantes das lutas sociais e das forças delas resultantes. Ao mesmo tempo, Marx acrescenta um imenso avanço trazido pela concepção helegiana, a concepção ‘ORGÂNICA’ do Estado, pois mesmo considerando um desenvolvimento ideário, Hegel toma esses aspectos num todo:  “é um grande progresso tratar como organismo”.
Em geral, se toma os interesses gerais do Estado como os interesses da sociedade (família e sociedade civil), ou o que se chamaria de interesse público. Isso não passa de uma ilusão. O Estado, separado dos demais, é produto das inter-relações sociais (contraditória e divida tão quanto à propriedade privada em seu seio) e seu desenvolvimento, é, pois, apenas uma visão aparente, superficial, não completa. Na realidade, os dirigentes não podem representar senão tais contradições, as quais devem ser resolvidas dentro da própria sociedade numa intensa Luta de Classes.
Outra das formas de mitificação do Estado está a Constituição Política e a ideia de Democracia. Hegel pretende, com a ciência jurídica e sua evolução conceitual, dar à Constituição Democrática (mesmo que no caso, ele a veja mesmo numa monarquia) um meio de moldar o conjunto dos estamentos* sociais.
Numa passagem irônica, combatendo essa concepção, Marx afirma: “A democracia, em um certo sentido, está para outras formas de Estado como o cristianismo para as outras religiões. O cristianismo é a religião, a essência, o homem deificado como uma religião particular. A democracia é assim, essência de toda constituição política. O homem socializado com uma constituição particular é; ela se relaciona com as demais constituições como gênero com suas espécies, mas o próprio gênero aparece aqui como existência e, com isso, como uma espécie particular, em face das existências que não contradizem a essência. A democracia relaciona-se com todas as outras formas de Estado como com o seu velho testamento. O homem não existe em razão da lei, mas a lei existe em razão do homem; e a existência humana, enquanto as outras formas de Estado como com o seu velho Testamento... a constituição política foi reduzida à esfera religiosa, a religião da vida do povo, o céu da sua universalidade em existência terrena de sua realidade”. (Pag 56 e 57)
Nesse importante raciocínio, fica claro que a ideia de uma Democracia no âmbito do Estado, é uma ficção. Não se pode existir ‘governo do povo’, pois, sendo um regime do Estado, esse é separado do povo. Na essência do estado está a separação, e só pode ser resolvida numa nova organização social em que o Estado deixe de existir enquanto tal. Até isso ocorre, a constituição democrática não passará de uma Bíblia para os crentes da democracia.

BUROCRACIA E PODER

Hegel atribui papel destacado à burocracia na administração do Estado. O exercício do poder, para ele, estaria liberto de excessos, se existisse uma ética nos representantes do Estado. Seria a função pública um ‘dever’, a vocação dos funcionários do Estado. Ao mesmo tempo, o exercício do direito das ‘corporações’(organismos de administração próximas da população) e uma rigorosa hierarquia estatal sob a tutela do poder soberano do monarca serviria para impedir “aristocracia e a dominação”.
Explicando o pensamento hegeliano, Marx afirma: “ A burocracia é o formalismo da sociedade civil. Ela é a ‘consciência do Estado’, a ‘vontade do Estado’, a ‘potência do Estado’...a burocracia deve, portanto, proteger toda a universalidade imaginaria do interesse particular, o espírito corporativo, a fim de proteger a particularidade imaginaria do interesse universal, seu próprio espírito” (pag 70). Mais: “Hegel nos dá uma descrição empírica da burocracia, em parte como ela realmente é, em parte segundo a opinião que ela tem de seu próprio ser”. (Pag70)
A concepção marxista desconstrói todo o mito de uma burocracia a serviço do povo. Embora reconheça o papel de serviços essenciais à vida da população, por serem instrumentos ‘públicos’ do Estado, não passam de ilusórias no sentido de escamotear a separação completa entre a sociedade e o próprio Estado.
Afirma: “A burocracia é o Estado imaginário ao lado do Estado real, particular, o espiritualismo do Estado...Por isso o espírito público do Estado, assim como a disposição política aparecem para a burocracia como uma traição do seu mistério. A autoridade é, portanto, o principio de seu saber e o culto à autoridade é a sua disposição”. (Pag72). “A supressão da burocracia só pode se dar contanto que o interesse universal se torne realmente – e não, como em Hegel, apenas no pensamento, na abstração – interesse particular, o que é possível apenas contanto que o interesse particular se torne universal.” (Pag 73)
É importante ressaltar que aqui Marx trata de toda legião de funcionários, em todos poderes da república, e estruturas de poder vinculadas ao poder centralizado. É como se fosse uma ‘capa protetora’ de uma estrutura erguida sobre a autoridade dos dirigentes, numa hierarquia concreta, para submissão imposta aos membros da sociedade. Não é da essência do ESTADO a proteção dos cidadãos, é, pois, o seu controle e imposição, tendo assim que constituir um conjunto de instituições burocratizadas e racionalmente constituídas, uma aparência diferente do que ele é realmente. O fim último é o poder!
Para o exercício do poder e atribuições fins do Estado, ou nas palavras de Marx, para a defesa da “propriedade privada como a categoria universal , o liame Universal do Estado” (pag130), é preciso um conjunto de leis, que, regulamentam a vida social, passam a ter uma vida ‘espiritual’ própria, parecendo estar acima da própria sociedade. Essa lei garante aos cidadãos os ‘direitos’ de membros do Estado, lhes aparentando como parte dele, gerando em sua consciência uma unidade orgânica. A lei é a mediação entre o cidadão e o Estado.
É absolutamente comum entre os representantes do Estado a defesa da‘legalidade’. Numa total demagogia, a defesa das instituições e leis escondem os reais interesses daqueles que realmente dominam o Estado: a perpetuação dos privilégios e a defesa da propriedade. Mesmo que num determinado momento parte da burocracia e outras estruturas do Estado estejam ocupadas por parcelas da sociedade civil, isso não muda sua essência.

A RESOLUÇÃO DO ESTADO

            Separados do ESTADO, os que produzem as riquezas (trabalhadores, a maioria da sociedade) devem se organizar para não apenas democratizá-lo, pois, sua natureza é oposta à democracia. Para tanto, devem tomar consciência dessa estrutura, constituir-se enquanto partido político, tomar o poder, organizar a economia para finalizar a propriedade privada dos meios de produção, socializando assim a riqueza, e só assim, eliminar toda essa estrutura.
            No apêndice do livro, Marx nos dá belíssimos ensinamentos históricos e combate quaisquer idéias de reformas sociais. Primeiro, sobre a forma de fazer, na paz ou na luta:
            “A arma da crítica não pode, é claro, substituir a critica da arma, o poder material tem de ser derrubado pelo pode material, mas a teoria também se torna força material quando se apodera das massas”. (pag157)
            Segundo, sobre qual classe pode acabar com as injustiças e agruras:
            “Na formação de uma classe com grilhões radicais, de uma sociedade civil que não seja classe da sociedade civil, de um estamento que seja a dissolução de todos os estamentos, de uma esfera que possua um caráter universal mediante seus sofrimentos universais e que não reivindique nenhum direito particular porque contra ela não se comete injustiça particular, mas a injustiça por excelência, que já não possa exigir um titulo histórico, mas apenas o titulo humano...que não pode se emancipar sem se emancipar de todas as esferas da sociedade, com isso, emancipar todas essas esferas – uma esfera que é, numa palavra, a perda total da humanidade e que, portanto, só pode ganhar a si mesma por um reganho total do homem. Tal dissolução da sociedade, como um estamento particular, é o proletariado”. (Pag 162)
            Terceiro, qual instrumento para a crítica das idéias:
            “Assim como a filosofia encontra suas armas materiais no proletariado, o proletariado encontra suas armas espirituais na filosofia, e tão logo o relâmpago do pensamento tenha penetrado profundamente nesse ingênuo solo do povo, a emancipação se completará”. (Pag 162)
              
*Crítica à Filosofia do Direito de Hegel, Boitempo Editora, 3ª. Edição, maio 2013;
** Constitui uma forma de estratificação social com camadas mais fechadas do que classes sociais, e mais abertas do que as castas;

sexta-feira, 28 de abril de 2017

MAIS DE 10,5 MILHÕES DE TRABALHADORES ADERIRAM À GREVE GERAL ATE AGORA!


Conforme relatos de sindicatos e Centrais Sindicais, a greve convocada contra as Reformas Trabalhista e Previdenciária já atinge quase 19% dos trabalhadores que possuem carteira assinada no país. Essa pode ser a maior, em números absolutos, paralisação realizada no Brasil.

     Confira as categorias que mais paralisaram, segundo estimativas:

Trabalhadores em Educação (Professores e funcionários) – 4,5 milhões
Comerciários – 2,8 milhões
Servidores Públicos (Estaduais, Federais e Municipais) – 2,2 milhões
Rodoviários – 430 mil
Bancários – 100 mil
Trabalhadores Agrícolas – 85 mil
Operários Industriais  (incluindo Petroleiros) – 58 mil
Aeroportuários – 800
Aeroviários – 400

Outras categorias – 350 mil

MAIS DE 10,5 MILHÕES DE TRABALHADORES ADERIRAM À GREVE GERAL ATE AGORA!

            

Conforme relatos de sindicatos e Centrais Sindicais, a greve convocada contra as Reformas Trabalhista e Previdenciária já atinge quase 19% dos trabalhadores que possuem carteira assinada no país. Essa pode ser a maior, em números absolutos, paralisação realizada no Brasil.

     Confira as categorias que mais paralisaram, segundo estimativas:

Trabalhadores em Educação (Professores e funcionários) – 4,5 milhões
Comerciários – 2,8 milhões
Servidores Públicos (Estaduais, Federais e Municipais) – 2,2 milhões
Rodoviários – 430 mil
Bancários – 100 mil
Trabalhadores Agrícolas – 85 mil
Operários Industriais  (incluindo Petroleiros) – 58 mil
Aeroportuários – 800
Aeroviários – 400

Outras categorias – 350 mil

sábado, 1 de abril de 2017

É POSSÍVEL ESCREVER EM 2017 UM NOVO FUTURO PARA O BRASIL!

                            A imagem pode conter: 2 pessoas, pessoas sorrindo, atividades ao ar livre

         Quase um ano após o golpe parlamentar que destituiu Dilma Rousseff vemos acumular ataques às conquistas que vieram com a constituição de 1988. A verdade é que a crise capitalista, a maior da nossa história, desesperou os grandes empresários que capitanearam um conjunto de reformas políticas e sociais que praticamente retrocedem o nosso país em 50 anos. Temer, o Congresso Nacional e a Justiça não passam de instrumentos das classes dominantes nessa empreitada.
        Naturalmente, a resistência do povo tem crescido. Mas, é bom lembrar que estamos nas ruas contra essas medidas, não por novos direitos. Não há uma OFENSIVA dos trabalhadores. Aliás, as pequenas conquistas dos últimos 15 anos, resultados de programas sociais e não de medidas estruturais de nossa economia, viraram pó. O fato é que em pouco tempo, uma boa parte das classes exploradas perceberam a situação e, agora, se mobilizam de forma mais enfática se unindo numa única palavra de ordem: FORA TEMER.
          Entretanto, a história socialista nos ensina que, em política, “é preciso ser revolucionário e não reformista” (J. Stalin). Nosso país é dominado por grandes monopólios nacionais e internacionais, possui uma estrutura agrária concentradora, é totalmente dependente tecnologicamente e, principalmente, o poder estatal é um satélite dos banqueiros, tendo o capital financeiro completo controle sobre a política econômica. Alias, essas reformas visam aprofundar esse controle do mercado financeiro sobre a nação. Ao mesmo tempo, esse projeto não é nem nunca foi de curto prazo. Os planos hoje implementados são cópias deformadas dos projetos neoliberais propostos pelos Chicago Boys, responsáveis pela total decadência da economia norte-americana.
       Não é possível, assim, pensar nosso país como se pudéssemos repetir as medidas social-democratas que outrora se realizaram. Reeditar um novo ciclo de crescimento econômico capitalista no Brasil num momento em que a economia mundial ‘patina’ com o retorno do protecionismo norte-americano e europeu, a queda do crescimento chinês e a guerra comercial que se anuncia, não passa de um ‘sonho numa noite de verão’.

           A verdade é que precisamos construir agora, ou pelo menos iniciar, um novo caminho para os explorados, em particular a classe operária brasileira. 2017 pode ser esse ‘pontapé inicial’. Para tanto, tomar as ruas e realizar greves são necessidades e exigências do momento. Mas é insuficiente! É URGENTE uma nova organização política, um instrumento de transformação e coesão dos trabalhadores conscientes, capaz de realizar uma granítica UNIDADE POPULAR na base de um programa SOCIALISTA. Sigamos firmes na luta, sigamos unidos, sigamos no RUMO da REVOLUÇÃO.

quinta-feira, 29 de dezembro de 2016

2016: A HISTÓRIA NÃO ACABA AQUI!


2017 é o centenário do assalto aos céus, a REVOLUÇÃO SOVIÉTICA. Essa história pode contar muito do que houve em 2016.  Digo isso porque esses 365 dias que precederam essa data tão significativa marcará muitos anos pela frente. De um negro na presidência dos EUA substituído por um fascista convicto; um golpe preparado e executado no Brasil para rasgar as conquistas de 1988; o ocaso dos governos populares na América Latina; as provocações terroristas e o avanço dos reacionários na Europa; a ascensão Russa sobre o Oriente Médio; o silencioso domínio do capital chinês no planeta.
É verdade que várias perdas nós também tivemos. Um revolucionário e libertador latino-americano que desapareceu sob os aplausos de milhões de cubanos; centenas de mortos ao mar tentando encontrar um refúgio na Europa; milhares padeceram acampados aguardando o fim de mais uma guerra por petróleo.
Quem poderia prever 2016? Não temamos, é só a véspera.
Alguns talvez se desesperem por tudo que ocorreu. Talvez se sintam desestimulados, inquietos ou perdidos. Sigamos o ensinamento do grande filosofo Karl Marx: "Os homens fazem a sua própria história, mas não a fazem como querem, não a fazem sob circunstâncias de sua escolha e sim sob aquelas com que se defrontam diretamente, legadas e transmitidas pelo passado."
      Temos que olhar 2016 e pensar o futuro. Temos que aprender o que findou e preparar o que virá. Nos miremos então em algo que não se repetirá, mas é exemplo no passado para nos guiar. 100 anos mostram que os motivos pelos quais os revolucionários russos lutaram continuam absolutamente atuais. Se puderam acabar com o capitalismo por que também não poderemos? Lenin afirmou quando se comemorou 4 anos da Revolução Soviética: "Nós começamos esta obra. Quando precisamente, em que prazo os proletários de qual nação terminarão esta obra - é uma questão não essencial. O essencial é que se quebrou o gelo, que se abriu o caminho, que indicou a via".
       Todas as flores e os suculentos frutos do futuro dependem das sementes plantadas hoje, diz um adágio popular chinês. Não aceitemos o trivial e exijamos o impossível. Construamos sobre os escombros de 2016 uma nova aurora para os povos. Aqui e acolá nossa liberdade se abrirá e dela nossos netos e bisnetos escreverão uma bela história.

sábado, 10 de dezembro de 2016

TEMER INCRIMINOU DILMA E PREPAROU GOLPE ANTES DA ELEIÇÃO


           Revelações da delação premiada da Odebrecht  mostram claramente o plano de Temer mesmo antes da eleição de 2014. Ciente da situação desesperada da economia, pressionado pelos grandes empresários e sem concordância quanto ao controle das investigações da operação Lava Jato, Michel Temer deu o ‘pulo do gato’: acordou com o PSDB o controle das investigações. Para tanto, caso Aécio ganhasse, iria manter o compromisso de controlar Justiça (com a qual possui amplas e intensas relações), Policia Federal, o Ministério Público Federal e a Procuradoria Geral da República, esses 2 últimos mais difíceis em virtude da gestão independente de Rodrigo Janot. Caso Dilma vencesse, ela não concordando, a derrubaria. Assim, a possibilidade de retirada de Dilma após o pleito de 2014, foi acertada antes até da contagem das urnas.
         Naturalmente seu plano continha uma enorme pressão ao PT (também profundamente afetado pelos casos de corrupção da Lava Jato), o qual não dando certo partiria para a segunda opção. Incriminou a chapa recebendo recursos de caixa 2 como forma de pressão à Dilma, forjando provas, trabalhando para constranger a presidenta e controlar a Polícia Federal. Desde o começo insistiu para ‘barrar’ as investigações, tendo a adesão de Lula e outros mandatários que também tinham um intimo envolvimento com a família Odebrecht. Não conseguindo, poderia seguir outros 2 caminhos: cassar a chapa que havia recebido recursos escusos ou derrubar por um impeachment.
       Era tão consciente que logo no inicio do mandato indicou para Presidente da Câmara dos Deputados seu fiel escudeiro: Eduardo Cunha. Esse, atolado até o pescoço nos casos de corrupção e ciente que seria denunciando o quanto antes. Como o PT, mesmo tendo alguns que o defendessem, não cedeu a chantagem, Cunha aceitou processo de Impeachment com total orientação de Temer. Agora já preso, Cunha, abandonado pelo seu amigo, foi à desforra: fez perguntas que incriminam Temer, mas impedidas pelo Juiz Sergio Moro, orientado pelo PSDB a blindar o presidente ilegítimo.
          Temer sabia desde o inicio o que significaria essa Delação da Odebrecht. E não à toa, ela veio após um acordo vergonhoso entre a Suprema Corte e a quadrilha instalada que alguns chamam de PMDB. Renan, também recebedor de recursos foi mantido na Presidência do Senado somente e exclusivamente para interromper os planos de aprovação de nova lei de Abuso de Autoridade. Os milhões recebidos pela gangue enriqueceram os principais líderes dessa nossa Republica fracassada. As revelações do executivo Claudio Melo Filho mostram a trama por inteiro, nos mínimos detalhes, tendo negociado para ele e outros corruptos, dentre eles o Sr Paulo Skaf, principal financiador das manifestações pró-Impeachment.
         Ao mesmo tempo, a atitude parcimoniosa e cúmplice da principal Corte desse país à essa tamanha vergonha nacional, prova que da República brasileira, fundada nos marcos da Carta Magna de 1988, nada mais resta. Sejamos realistas, é hora de uma revolução popular!  

sexta-feira, 9 de dezembro de 2016

A CRISE CAPITALISTA E O DESESPERO POLÍTICO DAS ELITES


          Os noticiários e as analises não parecem mais abarcar a crise política e econômica vivida no país. A cada dia se deteriora o ‘pacto social’ da constituição de 1988, resultado de 21 anos de resistência à ditadura militar fascista. O fato é que as podres e reacionárias elites se viram num dilema: manter as conquistas sociais dos mais pobres e perder alguns de seus privilégios ou impor ao povo brasileiro um novo modelo social, político, econômico e institucional de uma exploração acentuada e radical.
       Essas mudanças obviamente não gozam (nem poderiam) de uma adesão uníssona dos burgueses. No entanto, a crise econômica, a qual completa 30 meses de queda acelerada de rentabilidade capitalista em quase todos os setores econômicos, lhe impôs um novo paradigma. Para salvar seu falido e insuportável sistema de produção, acentuaram as disputas políticas e institucionais; fortaleceram uma nova dinâmica do judiciário brasileiro, creditando-lhe a mascara de ‘salvadores da pátria’; impuseram um golpe fajuto contra uma presidenta eleita; mobilizaram amplas massas da classe média que hoje lhe viram as costas; desenterraram as conservadoras frases que marcaram a Marcha da Família com Deus pela Liberdade.
       Naturalmente isso não está ocorrendo sem enormes contradições. Quem poderia imaginar que o 7º homem mais rico do país estaria preso há quase 19 meses? Quem poderia imaginar que se investigariam bancos, dentre eles o maior, o Itaú? Ou as maiores construtoras seriam desmascaradas de forma tão desavergonhada? É como se viesse à luz a relação promiscua da política e seus controladores. Uma relação que assaltou os cofres públicos e fez surgir uma verdadeira ‘casta’ de milionários brasileiros, sejam eles parlamentares ou não.    
       Como num passe de mágica, o motivo pelo qual impuseram um golpe num governo legitimo agora está lhe causando transtornos. Parece que todo o sistema, escondido e malcheiroso que marcou a vida política do país está virando de cabeça pra baixo. Os grandes capitalistas necessitam de um novo arranjo para impedir suas instituições, de natureza burguesa, de virarem pó. Ora, quando o regime político e econômico que outrora, aparentemente estável, apresentou todas suas contradições; quando, por menor que fosse, num sopro de liberdade institucional trazido por um governo de conciliação nacional se abateu uma dura e profunda crise econômica, o desespero bateu as portas. A burguesia já não consegue governar. Os poderes, fieis aos interesses empresarias, já não se entendem. Nesse bojo se desmoralizam inevitavelmente.
       Para além das aparências, os ricos empresários e seu ‘modus operandi’ não suporta mais a sociedade brasileira. De um lado, os ataques contra a população sistematizados em dois grandes projetos: um novo regime de gastos sociais e a mudança na previdência social. Ambas, conquistadas após uma intensa luta de classes apregoadas na carta magna de 1988, agora prestes a serem simplesmente enterrados pelos três poderes dessa nova república, nascidos dessa mesma constituição. De outro lado, cresce o repúdio ao sistema político e econômico dos burgueses, com suas mentiras, acordos e autoritarismos.

         A população brasileira, sedenta por mais liberdade e direitos sociais, é manipulada numa luta mascarada contra a corrupção. Nunca a burguesia abrirá mão desses instrumentos. Nunca o seu regime se libertará desse mal. Para termos um regime ético é preciso acabar com o domínio dos burgueses e termos um regime popular, um novo poder: o poder dos trabalhadores. Sigamos denunciando os corruptos banqueiros e sua política; os políticos capachos; os juízes subservientes e corrompidos; as instituições falidas; enfim, o apodrecido sistema político e econômico dos capitalistas. Esse pode e será, inevitavelmente, destruído.