sábado, 19 de janeiro de 2013

Greve da Normatel é exemplo de união e luta dos trabalhadores


Greve Normatel Engenharia

Durante 20 dias, os trabalhadores contratados da empresa NORMATEL ENGENHARIA (terceirizados de uma das subsidiárias da Petrobras chamada LUBNOR – Lubrificantes Derivados do Nordeste) realizaram uma combativa paralisação para garantir o direito do reajuste nos salários de 8% previsto pelo Acordo Coletivo 2012. Desde junho do ano passado, o dono da empresa se nega a pagar o que o seu próprio sindicato (patronal) havia acertado com o Sindicato dos Trabalhadores da Construção Civil. Exatamente por isso, este último encaminhou à Delegacia Regional do Trabalho uma denúncia e abriu processo na Justiça do Trabalho contra a NORMATEL, ainda em agosto, para garantir o pleno direito dos funcionários.
No período do processo, infelizmente, o Sindicato da Categoria sequer informou aos trabalhadores o que estava acontecendo, o que gerou imensa revolta de todos. No final de 2012, os membros da CIPA (Comissão Interna de Prevenção de Acidentes) e outros companheiros procuraram o Movimento Luta de Classes após verem uma paralisação dos petroleiros organizada pelo Sindpetro. A partir de então o MLC, junto com uma comissão dos trabalhadores da empresa, encaminhou uma assembleia da categoria no dia 21 de dezembro e realizou uma paralisação de advertência de 1 dia para pressionar o patrão. Na ocasião, a direção da LUBNOR e da NORMATEL bloqueou os crachás de todos e os impediram de entrar após o feriado de NATAL. Vendo o desrespeito da empresa, os mesmos trabalhadores, profundamente indignados, decidiram parar as atividades até o dia 7 de janeiro. Esse era o fim do prazo dado pela Justiça do Trabalho para os patrões apresentarem uma proposta para pagar o aumento.
Mesmo assim, sem nenhuma preocupação com o processo, o patrão marcou a reunião somente para o dia 9 de janeiro. Todos decidiram, então, aguardar a notícia da negociação na porta da empresa. Numa demonstração de muita coragem e combatividade, os 94 funcionários realizaram uma assembleia na entrada do prédio com muita agitação e aguardaram durante 3 horas o resultado da reunião com os responsáveis da empresa. Na mesa de negociação, que contou com a participação de 5 trabalhadores democraticamente eleitos pela assembleia, num ato de cinismo e irresponsabilidade, os representantes da NORMATEL ENGENHARIA informaram que não pagariam o reajuste e esperariam a decisão da justiça. Em virtude da pressão, no entanto, informaram que não cortariam os salários nem a participação no lucro dos empregados e negociariam os dias parados, o que já representou uma vitória.
Fica clara a sede de lucro desse patrão MISERÁVEL! Embora o contrato com a LUBNOR seja de R$ 7 milhões, não se dispôs a pagar sequer o aumento salarial, o que não representa nem 2% do valor total desse mesmo contrato. Outra coisa muito importante: a própria LUBNOR sequer autuou ou penalizou essa empresa. Por que será? Mas, o dono da NORMATEL não perde por esperar! Os trabalhadores continuarão mobilizados para garantir seus direitos.
Por fim, é importante ressaltar que o mais importante foi a UNIÃO dos trabalhadores resultante dessa paralisação. A consciência de todos ficou ainda maior e puderam perceber que não é possível confiar em patrão e, portanto, o único caminho para a categoria, assim como para todas as outras, é muita LUTA.
Serley Leal (MLC) e Emanuel Oliveira (SINDPETRO), Fortaleza, Ceará

quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

PRA ONDE VAMOS MESMO...

Segundo o Britânico Centro de Pesquisas Econômicas e de Negócios (CEBR na sigla em inglês) nossa economia retornará ao posto de número 7 no ranking das maiores economias capitalistas do mundo em 2013. Descemos a escada pelo menos até dezembro do ano que vem. Mas, longe de explicar os motivos e o que representa essa queda (se realmente representa alguma coisa), esse mesmo ranking nos faz refletir: o que temos haver com isso? Será o sentimento igual ao expresso em quantas medalhas conseguimos nas olimpíadas? Ou no ranking da inescrupulosa FIFA de melhores seleções do planeta? Comemoramos ou choramos?
Ora, a desvalorização do dólar possibilitou essa queda no PIB (Produto Interno Bruto). 11% de perda monetária durante 2012. Isso porque o Banco Central norte-americano fez de tudo para reduzir os efeitos da crise capitalista mundial na sua própria economia, ampliando a recessão no restante do mundo. Óbvio, então, que o fariam pois esses detém o controle da emissão da moeda sem perguntar a ninguém se devem ou não emiti-la. Ah..tá. Então, o ranking depende dólar? Isso. Quanto mais desvalorizada for nossa moeda, menor será nossa economia.
O sistema mundial capitalista, ou seja, a forma econômica que se baseia na exploração do trabalho pelo capital é interligado por uma rede de dominação do dólar sobre todas as demais moedas. Essas últimas são utilizadas, mediante câmbios flutuantes, como meios para agregar altos índices de investimento estrangeiro e uma política de exportação agressiva. Isso até agora e ninguém sabe até quando. O Brasil nadou nessa onda muito bem. Os últimos anos são provas vivas disso. Mas, atrair e financiar capital acarreta uma política de monopolização da nossa economia. Foi também o que aconteceu! E o que ocorrerá cada vez mais.
A tradicional teoria econômica socialdemocrata nos aponta a dependência do acumulo de investimento na ampliação de demanda. Aqui esse axioma parece mais mandamento da tábua da presidente Dilma. O governo garante financiamento para esse investimento, subsidiando o capital, lhe ofertando rentabilidades estratosféricas e, assim, se amplia o domínio centralizado do capital. Ao mesmo tempo, uma sensação de tranquilidade na medida em que o emprego naturalmente cresce. Porém, por pouco tempo! Assim é tal política econômica, um grande sonho numa noite de verão. Tem dia e hora para acabar. Lembra do ranking? Nada mais do que disputa publicitária e com ela vibração e choro. Talvez para esconder o real sentimento que devemos ter: PREOCUPAÇÃO.
Mais cedo ou mais tarde esse grau de monopolização causado por essa política econômica acarretará um CRASH. Um blecaute econômico resultante da conjunção de fatores: altas taxas de endividamento público e privado, altos índices de produtividade e redução do valor real dos salários com inflação (mesmo sob controle) crescendo. Talvez assim os mais fieis seguidores da bíblia socialdemocrata aprendam que CAPITALISMO é um saco furado: quanto mais se põe (INVESTEM), mais o buraco aumenta. Até o dia que o saco rasga e tudo cai. Quando isso ocorrer já é hora de jogarmos esse saco no lixo.
Serley Leal, presidente do Centro Popular Manoel Lisboa do Ceará

quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

Violentados em Fortaleza 822 crianças e adolescentes


Somente nos três primeiros meses do ano, 822 crianças e adolescentes foram violentados em Fortaleza, de acordo com o Centro de Referência Especializado de Assistência Social (Creas). Mas esse número pode ser ainda maior, pois esse dado se refere somente aos casos atendidos neste órgão. O mais grave é que tais atrocidades foram cometidas pelos próprios pais ou responsáveis.
Esse absurdo nos leva a refletir o tipo de sociedade em que nossos filhos e filhas estão inseridos. Na realidade, o sistema capitalista não respeita nem mesmo a inocência das nossas crianças e acaba com as relações de afetividade entre pais e filhos. Através das músicas, filmes e novelas, sexualiza crianças e adolescentes. Até a moda tem fortalecido essa triste realidade. É comum vermos meninas usando roupas extravagantes, curtas e sapatos de saltinho, sendo transformadas em mulheres-pequenas. Muitas vezes crianças e adolescentes são vistas dançando coreografias com gestos obscenos de músicas com letras pornográficas. Dessa forma, crimes como a pedofilia, o abuso sexual e a prostituição de crianças e adolescentes são fortalecidos e naturalizados.
Se a humanidade não transformar essa sociedade, acabando com o capitalismo, uma realidade cada vez mais dura será imposta para todas as crianças, homens e mulheres.
Paula Virgínia Colares, Fortaleza