quinta-feira, 29 de setembro de 2016

ELEIÇÕES DE 2016 SERÃO AS MAIS SANGRENTAS DOS ÚLTIMOS 30 ANOS


         As notícias de assassinatos de candidatos no pleito do próximo dia 2 de outubro são alarmantes. Já se contabilizam 28 mortos até o momento. As acirradas disputas aliadas a um clima de militarismo e violência crescentes têm marcado com sangue o processo eleitoral. O caso mais emblemático foi do candidato a prefeito de Itumbiara, José Gomes (PTB), morto numa carreata, demonstrando que a intenção do atirador não era apenas vingança, mas repercussão pública para criar clima de terror na cidade. A troca de tiros atingiu outras pessoas, incluindo o vice-governador de Goiás, Zé Enilton (PSDB) que foi ferido sem grande gravidade.
            O insuspeito ministro do Tribunal Superior Eleitoral, Gilmar Mendes, se mostrou preocupado com o crescimento da violência, “Não temos dados seguros. Estamos nos preocupando, sim, com esse quadro”. Completou “ Alguns candidatos são associados ao crime organizado, o que traz uma outra preocupação, que é o crime organizado participando do crime eleitoral, que é algo delicado”. Ele também confirmou reforço da Força Nacional em municípios propensos a mais crimes e solicitou à Polícia Federal uma investigação minuciosa sobre os fatos.
           Um levantamento pré-liminar do blog Nalutatododia mostra que em 30 anos, foram mortos, pelo menos, 109 candidatos nos processos eleitorais. Os estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Piauí e Alagoas foram os mais letais. No Piauí, o assassinato de prefeitos levou à criação da Associação das Viúvas de Ex-prefeitos Assassinados  para pressionar a resolução dos casos. Apenas em 2016, o número (28) já significa mais de 25% do total de assassinatos e o estado do Rio de Janeiro lidera o ranking com 5 assassinatos. Embora as estatísticas não consigam precisar os motivos, particularmente em virtude de muitos deles sequer terem sido elucidados, a imensa maioria está ligada a motivações políticas.
Naturalmente, nada acontece por acaso. É um fato que essas eleições rompem com uma certa polarização política muito comum nas anteriores, bem como uma intensa participação de candidatos das Forças Armadas e um avanço do crime organizado nas cidades, incluindo o interior. Sem falar de um golpe parlamentar recente que, não há dúvida, gera desestabilização política.
           O crescimento da ideologia de orientação fascista e a inserção cada vez maior da 'bandidagem' de todos os níveis dão sinais de que nossa hipócrita democracia está na UTI.



quarta-feira, 28 de setembro de 2016

HÁ UMA SEMENTE DO MASSACRE DO CARANDIRU EM CADA FAVELA BRASILEIRA


           111 presos assassinados em 1992 e o julgamento de 74 policiais responsáveis  pelo Massacre do Carandiru foi cancelado pelo Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo. Eles haviam sido condenados a penas que variavam de 24 a 624 anos de prisão. Segundo o desembargador Ivan Sartori, relator do processo, “Não houve massacre. Houve obediência hierárquica. Houve legitima defesa. Houve estrito cumprimento do dever legal”. Inacreditável! Um grupo de policiais entra numa Casa de Detenção, verdadeiro depósito de seres humanos comparável a um navio negreiro, mata essa quantidade de pessoas em legitima defesa.
           Embora seja chocante essa decisão, a Justiça não faz mais que repetir o que tem sido comum: o desprezo com as vítimas de violência policial e a impunidade de agentes de segurança, no pleno exercício do serviço público, que abusam do poder, reprimem, seqüestram e assassinam pessoas pelo país afora. O local quase sempre é o mesmo, as favelas. A polícia, aparentemente, não percebe a diferença entre um presídio e a periferia urbana, exercendo coercitivamente seu poder e tratando todos como suspeitos ou potenciais criminosos.
          Conforme aponta o relatório da Anistia Internacional a Policia Militar no Brasil é a que mais mata no mundo. Os EUA vêm logo atrás. Em 2014, 15,6% dos homicídios tinha um policial no gatilho. Isso significa 8,7 mil pessoas assassinadas. As vitimas quase sempre são negras, pobres e moradores de favelas.  
         Casos não faltam. O pedreiro Amarildo desapareceu em 2013 na favela da Rocinha, Rio de Janeiro, e seu corpo nunca foi encontrado. 12 policiais foram condenados e 12 foram absolvidos mas aguardam ansiosamente o mesmo desfecho do Carandiru. O jovem Davi da Silva, 17 anos, nunca mais voltou quando passeava e foi abordado por policiais. O caso ocorreu em Maceió e testemunhas ouvidas confirmaram que viram o jovem entrar na viatura policial. Nunca o corpo foi encontrado e ninguém foi punido. Em Fortaleza, 11 adolescentes foram assassinados no bairro Curió em novembro de 2015 após policiais encapuzados atirarem em bares e restaurantes do bairro. A ação foi uma vingança após um policial ter sido assassinado. 44 policiais estão presos, mas aguardam também o perdão da justiça.
            Até mesmo a Organização das Nações Unidas já reconhece abertamente essa situação. Zeid Al Hussein, alto comissário para os Direitos Humanos afirmou “Não há uma tentativa de ser defensivo e há um entendimento de que o Brasil enfrenta um teste severo nesta área e que a maioria dos brasileiros afrodescendentes se sentem inseguros nas zonas urbanas e de que não tem a mesma proteção da policia...o primeiro passo para lidar com um problema é reconhecer que ele existe”.
           Muitos justificam a violência policial para contenção da criminalidade. Um tremendo engano. Chegam ao cumulo de retirar a humanidade de presos e suspeitos, até apoiando esses ataques e massacres. Trata-se de uma guerra, afirmam. Esquecem-se de que falamos daqueles que não estão armados, e mesmo assim, morrem cotidianamente. Ainda que fosse uma guerra entre bandidos e mocinhos, os ‘civis’ deveriam ser protegidos em vez de serem mortos.

Infelizmente, assim como tantos outros crimes policiais nas favelas, Carandiru é apenas uma semente que foi plantada na ditadura civil-militar (1964-1985) e sempre renasce até o dia em que povo brasileiro tome o seu destino na mão, arrancando a raiz de vez. Daí em diante passará à memória de um tempo que não volta mais.

5 PAÍSES SE UNIRAM PARA ESPIONAR E FINANCIAR O GOLPE NO BRASIL


               Edward Snowden, ex-militar dos EUA, denuncia há anos o sistema integrado de espionagem ianque que monitora dados em todas as áreas em beneficio dos interesses das multinacionais e imperialismo norte-americanos, motivo pelo qual está exilado na Rússia há 4 anos.
              O ex-agente da NSA revelou notícias de que o Brasil era uma das mais importantes peças do xadrez latino-americano, estando no centro do monitoramento. Os fatos, inclusive, deixaram o governo deposto de Dilma Rousseff em alerta. O fato é que não eram apenas os norte-americanos, mas 5 países (Canadá, EUA, Grã-Bretanha, Austrália e Nova Zelândia), o chamado ‘5 olhos’, uma aliança estratégica de troca de informações, que bisbilhotou o governo brasileiro. O Canadá, por exemplo, através da Communications Security Establishment Canada (CSEC) espionou o Ministério de Minas e Energia à época dos leilões do campo de Libra, maior campo de petróleo já descoberto no país.
        As informações de todos os processos de investigações e decisões estratégicas do governo foram demasiadamente estudados pelos EUA. Também pudera, 80% das conexões de internet passam por lá. Estima-se que 2,3 bilhões de telefonemas e mensagens foram interceptadas. A coleta foi feita por ‘backbones’, vias principais por onde transitam os dados, os quais os governos tem acesso com ajuda das companhias de comunicações. Os norte-americanos possuem 14 agências de espionagem, porém somente a NSA (National Security Agency) criada há 61 anos emprega 35 mil funcionários.
        Além da espionagem, um grupo de magnatas internacionais, em parceria com seus governos, passou a financiar aberta e francamente organizações que há vários anos atacavam o governo socialdemocrata do PT, embora este nunca tivesse sequer ameaçado o poder dos grandes capitalistas nacionais e internacionais. Alguns institutos defensores do Liberalismo Econômico foram abarrotados de dinheiro por grupos midiáticos e bancos norte-americanos para realizar uma ampla campanha anti-esquerda e anti-comunista no Brasil.
O banco Merrill Lynch e o Bank of America depositaram gordas contribuições na conta do Instituto Milenium, o mais novo deles, fundado em 2005 e que reúne personalidades abertamente direitistas e conservadoras como Rodrigo Constantino, Olavo de Carvalho, Ali Kamel (Rede Globo) e Reinaldo Azevedo. Ressalta-se que as empresas do Grupo Abril, OESP (Estadão), Grupo RBS (Afiliada da Globo no Rio Grande do Sul), Grupos Gerdau e Suzano, Abert, Universidade Estácio captaram dinheiro no exterior, através de seus meios ‘legais’ para manipular a opinião pública e apoiar o golpe parlamentar colaborando para o retrocesso que estamos vivendo no país. Essas são mantenedoras do Milenium e outros Institutos (Liberdade, Liberal, Ling, e Atlantico).
         Fica claro que a deposição de Dilma Roussef foi uma articulação midiática, jurídica e parlamentar com ampla mobilização entre os partidos de direita em aliança com empresários e governos internacionais, para impor uma intensa agenda de retirada de direitos sociais e um ajuste fiscal ainda mais draconiano do que vinha sendo aplicado. O golpe, já reconhecido por Temer, não pode passar impune! Lutemos com todas as forças.

segunda-feira, 26 de setembro de 2016

NAZI-FASCISMO, A ONDA QUE MATOU MILHÕES NOS CARCERES E NA GUERRA.


            Quando surgiu na Itália, o fascismo não possuía mais de 20 militantes. Surgiu com o nome de Associação Nacionalista para depois se tornar o Partido Nacional Fascista. O termo é latino e vem da palavra ‘fasces’, um feixe de varas amarradas em volta de um machado que foi símbolo do poder conferido aos magistrados na República Romana de flagelar e decapitar cidadãos desobedientes. O movimento se espalhou pela Europa devido à total insegurança vivida pelos cidadãos após o fim da primeira guerra mundial. Encontrou na Itália de na Alemanha, arrasadas econômica e politicamente, um ambiente bastante propício para o crescimento dessas ideais.
            Naturalmente que nenhum dos movimentos fascistas foram iguais, variando de país para país, mas suas concepções e práticas foram muito similares, e aproveitaram, em geral, uma profunda crise econômica, o descrédito nas instituições políticas e grande insegurança da população.
          Emilio Gentile, historiador italiano, descreve o fascismo em dez elementos constitutivos: 1) militarismo, com aparato policial que impede dissidência e usa o terror; 2) líder carismático, político com total poder dentro de uma estrutura hierárquica, o qual comanda e coordena atividades do partido e regime; 3) ética civil própria, fundada nos preceitos da dedicação, disciplina, virilidade e espírito guerreiro; 4) ideologia ‘anti-ideologica’, proclamada anti-materialista, anti-marxista, anti-liberal, antidemocrática, mas populista e pragmática se expressando por uma ‘nova forma de política’ como uma religião leiga com ritos e símbolos para socializar e aculturar; 5) totalitarismo, discriminação e perseguição de uma comunidade étnica e/ou moral, considerada inferior e fora da comunidade, sendo perigosa para a integração da nação; 6) Movimento de massas, uma adesão ampla e multiclasse, particularmente em setores médios, organizado por uma milícia partidária com a missão de ‘regeneração nacional’  e em estado de guerra com os adversários, para conquistar o monopólio do poder político por meio do terror, utilizando meios parlamentares e acordos, para destruir qualquer democracia parlamentar; 7) misticismo, cultura fundada no pensamento ‘transcendental’ de qualquer natureza (pode ser religiosa), concebida para a vontade do poder e exaltando o mito da juventude como artífice da história; 8) Supressão da liberdade sindical, utilizando o Estado para alianças entre setores produtivos numa colaboração com o regime, preservando a propriedade privada e as divisões de classe; 9) Política externa expansionista, baseada na exaltação e grandeza com objetivos imperialistas; 10) Partido único, selecionador dos quadros de direção para provimento de defesa armada com mobilização permanente de emoção e fé.
 Revela-se, assim, que o ocorre no Brasil é de fato um crescimento de movimentos fascistas e militarização da política. Não é novidade quando uma sociedade está em franca decadência desenvolver-se em seu seio essa concepção. Lembrando que ela foi a responsável pelo Holocausto, liderado pelos nazistas na Alemanha, que ceifou a vida de 6 milhões de seres humanos; também perseguiu e assassinou milhares de lutadores sociais, socialistas e comunistas, em vários países; provocou a II Guerra Mundial, o maior morticínio da história com mais de 50 milhões de vidas perdidas.
Enfim, o que se vê agora é talvez a reedição dos integralistas (movimento fascista após o golpe de Getúlio Vargas). No entanto, tal e qual aquela época, os trabalhadores brasileiros, progressistas e revolucionários, souberam enfrentar nas ruas essa ameaça, agora não será diferente. Como se dizia na Espanha franquista, NÃO PASSARÃO!

O CAPITALISMO CHINÊS E O SEU MUSEU DE GRANDES NOVIDADES!

idosa chinesa dorme ao lado da riqueza crescente

          Até bem pouco tempo se estampavam manchetes sobre as conquistas ou peripécias, ou até mesmo, as novidades da expansão do novo capitalismo na China. Sob a bandeira de um novo ciclo de desenvolvimento, eram apresentados os fluxos de investimentos estrangeiros crescentes dos capitais das empresas chinesas, a expansão de seus voluptuosos benefícios para os habitantes daquelas nações escolhidas. Investimentos nas mais diversas áreas, trazendo uma ‘nova’ e ‘pretensa’ rede de desenvolvimento para o maculado e venenoso capital das pobres nações. Aqui no Brasil, duas multinacionais chinesas, por exemplo, abocanharam o Pré-sal através de uma falsa licitação. Nada mais do que a velha publicidade para nos fazer acreditar em um novo mundo.
            Assim como a Inglaterra foi um atrativo investidor nas nações colonizadas e impediu a continuidade do comercio escravista que outrora fora seu financiador; assim como os novos capitais norte-americanos surgiram e cresceram para questionar o ‘velho colonialismo inglês’ em decadência e suas ‘antigas práticas’ para dar lugar ao eficiente estilo ianque; vemos passar pelos nossos olhos o domínio quase repetido dessa realidade nesse século XXI. Da aliança do Estado, antes protetor da população sob o regime socialista, com o grande capital internacional fez-se surgir o ‘grande capital chinês’, agora sedento de novos caminhos, na busca de hegemonizar o planeta.
    Por trás do teatro econômico se travam grandes batalhas pelo Capital. Nos bastidores se consolida um novo Império. Aqui e agora, sem armas. Mas, por pouco tempo. Ao se tornar um exportador de capitais, os capitalistas chineses, sendo pertencentes ao Estado ou aos grandes milionários privados, vão se movendo e dominando as companhias, matérias-primas, comércio, enfim, impondo seu poder aos seus fracos oponentes. Como bem dizia Lenin, “O que caracterizava o velho capitalismo, no qual dominava plenamente a livre concorrência, era a exportação de mercadorias. O que caracteriza o capitalismo moderno, no qual impera o monopólio, é a exportação de capital”. E completa: “A exportação de capitais repercute-se no desenvolvimento do capitalismo dentro dos países em que são investidos, acelerando-o extraordinariamente. Se, em consequência disso, a referida exportação pode, até certo ponto, ocasionar uma estagnação do desenvolvimento nos países exportadores, isso só pode ter lugar em troca de um alargamento e de um aprofundamento maiores do desenvolvimento do capitalismo em todo o mundo”. Por fim, “Os países que exportam capitais podem quase sempre obter certas "vantagens", cujo caráter lança luz sobre as particularidades da época do capital financeiro e do monopólio”.
Até 2002, a abertura da economia chinesa voltara-se para a atração de capitais e ampliação da eficiência de sua economia, assim como a exportação de produtos manufaturados de baixa ou média complexidade tecnológica. Ora, as disputas pelo comércio mundial lhe impôs uma necessidade para sua crescente produção industrial: o investimento nas nações que lhe vendem matérias-primas para obtenção de vantagens, tal qual lenin nos expunha há quase cem anos atrás. Agora, com a intensa crise vivida pelo moribundo modo de produção capitalista, qual a saída, para o capital chinês super acumulado nesse período de abertura com imensos subsídios do Estado?
Sem dúvida, a exportação de capitais. Agora, as aquisições, fusões, aplicações financeiras em outros países obrigam esses a negociarem com o grande capital chinês. Entre 2002 e 2012, a China multiplicou 33 vezes o volume de capitais aplicados em todo o planeta. Em 2011, em pleno turbilhão da crise, os capitais chineses migraram para 80 países.Adquiriu companhias enormes em todos os continentes e, segundo estudo o próprio governo chinês, pretende até 2020 investir US$ 800 bilhões nos países.
Nessa disputa, a resistência dos EUA ainda é muito grande. Embora o quadro dê a perspectiva de uma nova relação entre os países no que diz respeito à exportação de capitais, muita água ainda tem que rolar. Os EUA, principal exportador de capitais, possui ATIVOS da ordem de US$ 21 trilhões aplicados no planeta, o que lhe garante alto retorno financeiro para metrópole e os investimentos regulares de US$ 700 bilhões anuais. O volume de capitais estrangeiros nos EUA já é de US$ 26 trilhões. Tal realidade, garante uma clara hegemonia aos norte-americanos. Embora, por pouco tempo.
É bom lembrar o que está nascendo e o que está morrendo. Boa parte desses ativos que circulam nos EUA é de propriedade de bancos chineses. A China é o maior credor dos títulos públicos norte-americanos, detendo aproximadamente US$ 1,4 trilhão, o que lhe coloca em posição especial. Fora isso, possui uma poupança interna de US$ 4 trilhões. Isso significa que se o mercado financeiro, hoje ainda controlado pelo governo chinês, se abrir para uma maior rapidez das exportações desses capitais, esse volume necessariamente pode se multiplicar em 5 ou 6 vezes*, multiplicando os ativos chineses e impondo seu poder ao decadente, mas ainda poderoso, CAPITAL norte-americano.
Mas, surge uma pergunta: que significa a mudança do poderio norte-americano para o chinês? Disputa acirrada, guerras, pilhagens, mais exploração. Não há nenhum indicativo de mudança do capitalismo. Muitos até abençoam, acreditando numa mudança. Ledo engano. Qualquer imperialismo, ao se consolidar será o protetor das multinacionais, lembrando exatamente a superexploração sofrida atualmente pelos chineses.

No capitalismo, não há caminhos para a paz e igualdade. Prova disso é que o próprio governo chinês aumentou em mais de 80% os gastos militares nos últimos dez anos. Para defesa? Nem tanto. Os vintes anos futuros marcarão o capitalismo. Tomara que os povos tomem consciência dessa excrecência humana e ponham fim, colocando o CAPITALISMO, como afirmou muito bem Karl Marx, “ao lado do machado de bronze e da roda”, num Museu, mas sem nenhuma novidade. 

quinta-feira, 22 de setembro de 2016

A REFORMA ‘DESEDUCATIVA’ DE UM GOVERNO TEMEROSO


O amedrontado Ministro da Educação

          As milhões de pessoas que foram às ruas defender a deposição de Dilma Roussef devem estar vibrando com a nova proposta de ensino médio apresentada pelo ministro golpista Mendonça Filho. Ou, até algumas delas, chorando de arrependimento. Pela visão retrógrada de boa parte da classe média e das elites, o que se pretende é ‘desideologizar’ a educação brasileira. Muitos cartazes e faixas nas manifestações apresentavam a seguinte palavra de ordem: “Chega de Doutrinação Marxista. Basta de Paulo Freire!” numa clara demonstração de histeria conservadora aliada à ignorância científico-pedagógica.
         Pior. A mudança veio por Medida Provisória. Não teria o ministro como ir debater essa proposta com os educadores nas universidades? Nas secretarias estaduais de educação pelo país afora? Na verdade, ele não poderia, pois não agüentaria as vaias. Preferiu editar um texto no seu gabinete, modificando uma metodologia de ensino que atinge milhões de jovens e suas expectativas de futuro, clarificando qual caráter tem esse governo.
Vejamos a proposta do governo temeroso. Diz ser algo novo. Bem, flexibilizar o ensino médio brasileiro e torná-lo ‘eficiente’ nada mais é da velha máxima de educar para o mercado de trabalho. Segundo a medida provisória, o currículo terá 50% de flexibilização de disciplinas conforme uma Base Nacional Curricular Comum  (BNCC) ainda em estudo pelo governo. Além disso, abre a possibilidade de modular o ensino. Em outras palavras,  poderá ser ofertando disciplinas em módulo: período em matemática, encerra-se; abre período em linguagens e códigos, encerra-se; abre período em história, e assim sucessivamente. As especificações caberão às secretarias de educação dos estados. Fica claro, que tal modelo toma como parâmetro a educação técnica e profissionalizante, tornando o ensino mais especializado e menos generalista, com a intenção de impedir o ensino mais regular de disciplinas ‘aparentemente’ menos necessárias como história, geografia, etc. Por outro lado, as próprias disciplinas profissionalizantes terão o mesmo peso das outras áreas de conhecimento.
Tem mais. Hoje, os professores são obrigados a terem diploma na área pedagógica e com especializações ascendem na carreira. A MP afirma que poderão ser lecionadas as disciplinas por “profissionais com notório saber reconhecidos pelos sistemas de ensino para ministrar conteúdos de áreas afins à sua formação”. O que isso quer dizer? Professores de história podem ministrar aulas de geografia, e também de filosofia; professores de matemática lecionarão física e química, etc. Sabe-se que essa realidade já existe no Brasil pela ausência de profissionais formados em várias áreas, mas agora será oficial, e piorará muito essa situação. Mais do que isso: professores serão contratados com a missão de ministrar 3 ou 4 disciplinas, diminuindo sua eficiência e precarizando as relações de trabalho dentro das escolas.
A cereja do bolo é tornar os ensinos de educação física, artes, filosofia e sociologia como ‘não obrigatórias’. Isso porque reside aí o ‘cerne’ da esquerdização estudantil. Isso mesmo. De uma canetada apenas, destruíram uma conquista de vários anos dos educadores brasileiros. O governo ilegítimo pretende arrancar a criticidade que resiste na educação brasileira de um golpe só. Faltou combinar com os educadores. Essa reforma que aguarde!

QUEM JULGA A UTILIZAÇÃO POLÍTICA DA JUSTIÇA?


          É notório o avanço do combate à corrupção no país, particularmente através da Justiça Federal em parceria com a Polícia Federal e o Ministério Público Federal. As operações recentes demonstram como nos últimos 10 anos, através da maior independência, reestruturação dos quadros e especialização ocorreram prisões bem como afastamentos de diversos chefes do executivo e parlamentares, dificultando as praticas de peculato, enriquecimento ilícito, evasão de divisas, enfim, muitos crimes absolutamente comuns no meio político e nas empresas aliadas aos mesmos.
         Entretanto, a Justiça pretende ser a mais independente dos poderes. Ou, a mais neutra possível, responsável pelo equilíbrio da nossa república. O problema é que não há neutralidade política em investigações de políticos. A idéia do apego à norma, a qual orienta diversos juízes e procuradores, não pode ser possível realizar-se em virtude do envolvimento dos outros poderes nos crimes. Naturalmente, a justiça em geral jamais poderá ser ‘pura ideologicamente’, pois está inserida num universo social contraditório, mutável e influenciado pelas mais diversas pressões. Alias, numa sociedade dilacerada por conflitos entre classes sociais, as instituições jurídicas irão reproduzir as concepções das classes dominantes, ressalvando a possibilidade de existirem raras exceções que pretendem dar à Justiça um caráter mais democrático.
        Qual das investigações no Brasil mobilizou o conjunto de instituições, partidos, mídia, meio empresarial e virou um verdadeiro show televisivo como a operação Lava Jato? Nenhuma. Pelo menos na história recente. Logo, não teve apenas um simples apego à norma, transcendeu seus objetivos, transbordou suas funções e adentrou nos distúrbios, polarização e contrastes políticos que se estendem no país pelos últimos 20 anos. Sem falar de vários excessos processuais.  Não importa que os responsáveis não tivessem esse interesse. Importa se eles realmente queriam que tal mobilização ocorresse.
          Nossa justiça é elitista. Isso é um fato. Impressiona muito que tal mobilização tenha ocorrido quando parte das nossas corruptas elites começaram a ir para prisão. Nesse momento, num clamor eufórico, parte da sociedade pretendia uma redenção pelo judiciário, e, este, exultante passou a ser mais uma peça de manobra política. A proposta ‘mágica’ de uma Justiça realmente para todos se voltou contra os feiticeiros de toga, mas antes foram embriagados por altas doses de vaidade. Hoje, um dos parlamentos mais corruptos da história republicana respira aliviado com os caminhos tomados pela Justiça Federal e prepara a autoanistia de políticos.
         Seria muito mais ‘militante’ dos operadores do direito lutarem para os juízes serem eleitos. Valeria mais a pena e substituiria muita dessa hipocrisia de isenção do aparato judicial. Faço minhas as palavras do teólogo Wagner Francesco e estudioso do assunto: O Direito é construção social, órgão vivo, mutável e flexível. Uma teoria pura do Direito é tão possível, hoje, quanto a crença de que a terra é plana.