domingo, 2 de outubro de 2016

CHINA E ESTADOS UNIDOS TRAVAM GUERRA VELADA


           Há anos os EUA e a China estão travando uma guerra ‘silenciosa’ de arsenal bélico e estratégia militar. Os chineses aumentam progressivamente sua presença no Oriente Médio e os norte-americanos aumentam sua presença militar no pacifico. Desde janeiro, os ianques deslocaram para a Ásia seu segundo porta-aviões nuclear, chamado de “John C. Stennis”, unindo-se a outro porta-aviões denominado “Ronald Reagan” em operação há mais tempo por lá.
           O Mar do Sul da China se tornou um ponto de disputa entre os países, que aumentou o foco na Ásia-Pacífico sob o governo do presidente Barack Obama, e a China, que já é o maior poder econômico, político e militar na região. Segundo o secretário de defesa Ashton Carter, os EUA não vão tolerar essa mudança forças. Ele afirmou: "Os Estados Unidos continuarão sendo o exército mais poderoso e principal garantidor de segurança da região por décadas a fio - e não deve haver dúvida quanto a isso". Qualquer ação por parte da China para reconquistar território em Scarborough Shoal, área marítima disputada, teria conseqüências, completou Carter.
            Obviamente, os chineses partiram para a ofensiva. Na cúpula de segurança da Ásia, o almirante Sun Jianguo disse que a China não será intimidada, incluindo sobre o processo pendente no tribunal internacional relacionado às reivindicações chinesas na importante rota comercial. "Não criamos problemas, mas não temos medo deles", disse Sun ao Shangri-La Dialogue, em Cingapura, onde mais de 600 autoridades de segurança, militares e de governos se reuniram durante três dias. "A China não vai arcar com as consequências, nem permitir qualquer violação em sua soberania ou seus interesses, ou ser indiferente a alguns países criando o caos no Mar do Sul da China."
            Por outro lado, os chineses investem fortunas para vencer tecnologicamente os norte-americanos. Em 26 de setembro último, a Xinhua News Agency revelou a criação de um radar quântico, baseado na detecção de fótons únicos. O radar tem o objetivo de impedir os jatos stealth (aqueles não detectados por radares comuns) dos EUA, como o F-22. O tenente-general Wang Hongguang, que se aposentou em 2012, num artigo de opinião na mídia estatal chinesa Global Times, afirmou “Eu gostaria de sugerir aos americanos que, quando usarem aviões stealth, é melhor se manterem longe do continente chinês. Lembrem-se disso! Lembrem-se disso!”
            O Pentágono, órgão central de defesa norte-americana, vem regularmente fazendo relatórios sobre as novas armas chinesas. Num deles afirmam que a China tem “desenvolvido uma variedade de sistemas de guerra aérea, marítima, submarina, espacial, antiespacial e informativa” e visa a “dominar o espectro da informação em todas as dimensões do campo de batalha moderno”. Os chineses desenvolveram supercamuflagem para tanques terrestres e veículos anfíbios, um trem superpotente para interligar sua defesa terrestre, um drone invisível chamado ‘Espada Negra’ (não tripulado) e o J-20, jato de combate e espionagem que ela vem preparando para eliminar possíveis ameaças. Segundo os detalhes da Popular Science, os analistas acreditam que esta aeronave tem uma tecnologia em sua carcaça para que os radares não consigam identificá-la.
            Todas essas batalhas, hoje ainda nos ‘bastidores’, são resultado da enorme guerra comercial e financeira travada entre as duas nações nos últimos anos. A China, segunda maior potencia econômica do mundo, vem reduzindo seu nível de crescimento em virtude da recessão mundial com a redução dos mercadores consumidores. Sabe que precisa de matérias-primas mais baratas e explorar novos mercados, o que amplia a disputa com os EUA.
Trata-se do velho imperialismo, o mesmo que levou o mundo a duas grandes guerras e a morte de milhões de pessoas. Hoje os embates têm sido apenas de demonstrações de força e estratégia, mas não se sabe por quanto tempo.

sábado, 1 de outubro de 2016

MANIPULAÇÃO ELEITORAL: SE PESQUISA FOSSE REALIDADE SERIA ‘CENSO ELEITORAL’

                As pesquisas tem se transformado em ‘cavalos de tróia’ eleitorais pois influenciam a população e acabam manipulando o resultado do pleito. Isso é um fato pois todos acabam apostando numa candidatura com possibilidade de ganhar sem necessariamente perceber que o mais importante é o programa, a história, a orientação ideológica e caráter do candidato. Esse é mais um arranhão da nossa tosca democracia na qual os mesmos que estão no poder se beneficiam das condições sem necessariamente ganhar votos.
                Conforme aponta Marcio Ferreira Neto, especialista em Matemática e Estatística, é preciso distinguir cada uma das formas de levantamento de dados sociais. Ele afirma: “Têm-se três processos para conhecer essa “realidade”: 1- Censo ou recenseamento é o processo de coleta de informações e dados em que todo o universo (população) é pesquisado - censo é o estudo envolvendo todos os elementos da população, isto é, todos os elementos da população são estudados, um a um. O censo só termina quando todo o universo for totalmente abrangido. Por meio do censo se determina o valor exato de cada parâmetro da população; 2- Levantamento é parecido com o censo, mas é realizado em um subconjunto do universo, chamado de partição, “escolhido”, segundo informações anteriores que indicam que aquele subconjunto é bastante “representativo” do universo; 3- Pesquisa é um estudo ou uma investigação minuciosa ou sistemática a respeito de algum fato ou circunstância para sumarizar ou generalizar a descoberta de fatos relativos à determinada área do conhecimento. A pesquisa pode ser populacional ou amostral, realizada de acordo com alguns métodos ou técnicas que contenha algumas componentes que poderá variar, dependendo do tipo de pesquisa a ser realizada”.
                Isso quer dizer, em outras palavras, pesquisa não quer dizer que a população toda irá se manifestar daquela forma apresentada. Em geral, os candidatos ricos realizam pesquisas para montar sua estratégia eleitoral. Já estão em vantagem por isso. Outras pesquisas são encomendadas pela imprensa. Mas qual imprensa? A mesma que sistematicamente é acusada de defender determinados interesses embora se apresente como ‘isentos’. Ora, sabemos que a mídia tem também os seus 'negócios' e, logo, não apresentará quaisquer noticias que os contrariem.
                Por outro lado, as pesquisas são realizadas por institutos que cobram fortunas e utilizam métodos que podem ser muito manipulados estatisticamente.  Como também aponta o matemático Marcio Ferreira Neto, “As disparidades entre os resultados das pesquisas e os resultados das urnas, tem demonstrado a parcialidade dos institutos de pesquisas em relação a esses resultados, que sempre são divulgados com algum tipo de ingerência no questionamento da pesquisa. A maioria das pesquisas políticas não respeita os princípios da teoria da amostragem estatística, por utilizarem o método da amostragem por quotas, de caráter não probabilístico e pouco sustentável teórica e empiricamente, por não utilizarem regras adequadas e coerentes, sem qualquer cautela ou cuidado, nas suas etapas. As pesquisas eleitorais com ocorrências de erros, falhas e fraudes, além de influenciar substancialmente o processo eleitoral, também causa uma polarização, por não deixar o eleitor totalmente livre, que acaba sendo condicionado (influenciado) a abandonar à sua decisão de votar em certo candidato para votar em outro que aparece à frente nas pesquisas, migrando para um voto útil, porque pretende e quer derrotar outro candidato. Atitude desta natureza constitui-se como uma manipulação do processo eleitoral”.
                Desconfie sempre. Nada é o que parece!



Fonte: artigo acadêmico “ERROS E FALHAS DE PESQUISAS ELEITORAIS E SUAS INFLUÊNCIAS NA DECISÃO DO VOTO DO ELEITOR” de Marcio Ferreira Neto, Licenciado em Matemática pela Fundação Universidade do Tocantins (UNITINS) - Especialista em Matemática e Estatística pela Universidade Federal de Lavras do Estado de Minas Gerais.

quinta-feira, 29 de setembro de 2016

ELEIÇÕES DE 2016 SERÃO AS MAIS SANGRENTAS DOS ÚLTIMOS 30 ANOS


         As notícias de assassinatos de candidatos no pleito do próximo dia 2 de outubro são alarmantes. Já se contabilizam 28 mortos até o momento. As acirradas disputas aliadas a um clima de militarismo e violência crescentes têm marcado com sangue o processo eleitoral. O caso mais emblemático foi do candidato a prefeito de Itumbiara, José Gomes (PTB), morto numa carreata, demonstrando que a intenção do atirador não era apenas vingança, mas repercussão pública para criar clima de terror na cidade. A troca de tiros atingiu outras pessoas, incluindo o vice-governador de Goiás, Zé Enilton (PSDB) que foi ferido sem grande gravidade.
            O insuspeito ministro do Tribunal Superior Eleitoral, Gilmar Mendes, se mostrou preocupado com o crescimento da violência, “Não temos dados seguros. Estamos nos preocupando, sim, com esse quadro”. Completou “ Alguns candidatos são associados ao crime organizado, o que traz uma outra preocupação, que é o crime organizado participando do crime eleitoral, que é algo delicado”. Ele também confirmou reforço da Força Nacional em municípios propensos a mais crimes e solicitou à Polícia Federal uma investigação minuciosa sobre os fatos.
           Um levantamento pré-liminar do blog Nalutatododia mostra que em 30 anos, foram mortos, pelo menos, 109 candidatos nos processos eleitorais. Os estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Piauí e Alagoas foram os mais letais. No Piauí, o assassinato de prefeitos levou à criação da Associação das Viúvas de Ex-prefeitos Assassinados  para pressionar a resolução dos casos. Apenas em 2016, o número (28) já significa mais de 25% do total de assassinatos e o estado do Rio de Janeiro lidera o ranking com 5 assassinatos. Embora as estatísticas não consigam precisar os motivos, particularmente em virtude de muitos deles sequer terem sido elucidados, a imensa maioria está ligada a motivações políticas.
Naturalmente, nada acontece por acaso. É um fato que essas eleições rompem com uma certa polarização política muito comum nas anteriores, bem como uma intensa participação de candidatos das Forças Armadas e um avanço do crime organizado nas cidades, incluindo o interior. Sem falar de um golpe parlamentar recente que, não há dúvida, gera desestabilização política.
           O crescimento da ideologia de orientação fascista e a inserção cada vez maior da 'bandidagem' de todos os níveis dão sinais de que nossa hipócrita democracia está na UTI.



quarta-feira, 28 de setembro de 2016

HÁ UMA SEMENTE DO MASSACRE DO CARANDIRU EM CADA FAVELA BRASILEIRA


           111 presos assassinados em 1992 e o julgamento de 74 policiais responsáveis  pelo Massacre do Carandiru foi cancelado pelo Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo. Eles haviam sido condenados a penas que variavam de 24 a 624 anos de prisão. Segundo o desembargador Ivan Sartori, relator do processo, “Não houve massacre. Houve obediência hierárquica. Houve legitima defesa. Houve estrito cumprimento do dever legal”. Inacreditável! Um grupo de policiais entra numa Casa de Detenção, verdadeiro depósito de seres humanos comparável a um navio negreiro, mata essa quantidade de pessoas em legitima defesa.
           Embora seja chocante essa decisão, a Justiça não faz mais que repetir o que tem sido comum: o desprezo com as vítimas de violência policial e a impunidade de agentes de segurança, no pleno exercício do serviço público, que abusam do poder, reprimem, seqüestram e assassinam pessoas pelo país afora. O local quase sempre é o mesmo, as favelas. A polícia, aparentemente, não percebe a diferença entre um presídio e a periferia urbana, exercendo coercitivamente seu poder e tratando todos como suspeitos ou potenciais criminosos.
          Conforme aponta o relatório da Anistia Internacional a Policia Militar no Brasil é a que mais mata no mundo. Os EUA vêm logo atrás. Em 2014, 15,6% dos homicídios tinha um policial no gatilho. Isso significa 8,7 mil pessoas assassinadas. As vitimas quase sempre são negras, pobres e moradores de favelas.  
         Casos não faltam. O pedreiro Amarildo desapareceu em 2013 na favela da Rocinha, Rio de Janeiro, e seu corpo nunca foi encontrado. 12 policiais foram condenados e 12 foram absolvidos mas aguardam ansiosamente o mesmo desfecho do Carandiru. O jovem Davi da Silva, 17 anos, nunca mais voltou quando passeava e foi abordado por policiais. O caso ocorreu em Maceió e testemunhas ouvidas confirmaram que viram o jovem entrar na viatura policial. Nunca o corpo foi encontrado e ninguém foi punido. Em Fortaleza, 11 adolescentes foram assassinados no bairro Curió em novembro de 2015 após policiais encapuzados atirarem em bares e restaurantes do bairro. A ação foi uma vingança após um policial ter sido assassinado. 44 policiais estão presos, mas aguardam também o perdão da justiça.
            Até mesmo a Organização das Nações Unidas já reconhece abertamente essa situação. Zeid Al Hussein, alto comissário para os Direitos Humanos afirmou “Não há uma tentativa de ser defensivo e há um entendimento de que o Brasil enfrenta um teste severo nesta área e que a maioria dos brasileiros afrodescendentes se sentem inseguros nas zonas urbanas e de que não tem a mesma proteção da policia...o primeiro passo para lidar com um problema é reconhecer que ele existe”.
           Muitos justificam a violência policial para contenção da criminalidade. Um tremendo engano. Chegam ao cumulo de retirar a humanidade de presos e suspeitos, até apoiando esses ataques e massacres. Trata-se de uma guerra, afirmam. Esquecem-se de que falamos daqueles que não estão armados, e mesmo assim, morrem cotidianamente. Ainda que fosse uma guerra entre bandidos e mocinhos, os ‘civis’ deveriam ser protegidos em vez de serem mortos.

Infelizmente, assim como tantos outros crimes policiais nas favelas, Carandiru é apenas uma semente que foi plantada na ditadura civil-militar (1964-1985) e sempre renasce até o dia em que povo brasileiro tome o seu destino na mão, arrancando a raiz de vez. Daí em diante passará à memória de um tempo que não volta mais.

5 PAÍSES SE UNIRAM PARA ESPIONAR E FINANCIAR O GOLPE NO BRASIL


               Edward Snowden, ex-militar dos EUA, denuncia há anos o sistema integrado de espionagem ianque que monitora dados em todas as áreas em beneficio dos interesses das multinacionais e imperialismo norte-americanos, motivo pelo qual está exilado na Rússia há 4 anos.
              O ex-agente da NSA revelou notícias de que o Brasil era uma das mais importantes peças do xadrez latino-americano, estando no centro do monitoramento. Os fatos, inclusive, deixaram o governo deposto de Dilma Rousseff em alerta. O fato é que não eram apenas os norte-americanos, mas 5 países (Canadá, EUA, Grã-Bretanha, Austrália e Nova Zelândia), o chamado ‘5 olhos’, uma aliança estratégica de troca de informações, que bisbilhotou o governo brasileiro. O Canadá, por exemplo, através da Communications Security Establishment Canada (CSEC) espionou o Ministério de Minas e Energia à época dos leilões do campo de Libra, maior campo de petróleo já descoberto no país.
        As informações de todos os processos de investigações e decisões estratégicas do governo foram demasiadamente estudados pelos EUA. Também pudera, 80% das conexões de internet passam por lá. Estima-se que 2,3 bilhões de telefonemas e mensagens foram interceptadas. A coleta foi feita por ‘backbones’, vias principais por onde transitam os dados, os quais os governos tem acesso com ajuda das companhias de comunicações. Os norte-americanos possuem 14 agências de espionagem, porém somente a NSA (National Security Agency) criada há 61 anos emprega 35 mil funcionários.
        Além da espionagem, um grupo de magnatas internacionais, em parceria com seus governos, passou a financiar aberta e francamente organizações que há vários anos atacavam o governo socialdemocrata do PT, embora este nunca tivesse sequer ameaçado o poder dos grandes capitalistas nacionais e internacionais. Alguns institutos defensores do Liberalismo Econômico foram abarrotados de dinheiro por grupos midiáticos e bancos norte-americanos para realizar uma ampla campanha anti-esquerda e anti-comunista no Brasil.
O banco Merrill Lynch e o Bank of America depositaram gordas contribuições na conta do Instituto Milenium, o mais novo deles, fundado em 2005 e que reúne personalidades abertamente direitistas e conservadoras como Rodrigo Constantino, Olavo de Carvalho, Ali Kamel (Rede Globo) e Reinaldo Azevedo. Ressalta-se que as empresas do Grupo Abril, OESP (Estadão), Grupo RBS (Afiliada da Globo no Rio Grande do Sul), Grupos Gerdau e Suzano, Abert, Universidade Estácio captaram dinheiro no exterior, através de seus meios ‘legais’ para manipular a opinião pública e apoiar o golpe parlamentar colaborando para o retrocesso que estamos vivendo no país. Essas são mantenedoras do Milenium e outros Institutos (Liberdade, Liberal, Ling, e Atlantico).
         Fica claro que a deposição de Dilma Roussef foi uma articulação midiática, jurídica e parlamentar com ampla mobilização entre os partidos de direita em aliança com empresários e governos internacionais, para impor uma intensa agenda de retirada de direitos sociais e um ajuste fiscal ainda mais draconiano do que vinha sendo aplicado. O golpe, já reconhecido por Temer, não pode passar impune! Lutemos com todas as forças.

segunda-feira, 26 de setembro de 2016

NAZI-FASCISMO, A ONDA QUE MATOU MILHÕES NOS CARCERES E NA GUERRA.


            Quando surgiu na Itália, o fascismo não possuía mais de 20 militantes. Surgiu com o nome de Associação Nacionalista para depois se tornar o Partido Nacional Fascista. O termo é latino e vem da palavra ‘fasces’, um feixe de varas amarradas em volta de um machado que foi símbolo do poder conferido aos magistrados na República Romana de flagelar e decapitar cidadãos desobedientes. O movimento se espalhou pela Europa devido à total insegurança vivida pelos cidadãos após o fim da primeira guerra mundial. Encontrou na Itália de na Alemanha, arrasadas econômica e politicamente, um ambiente bastante propício para o crescimento dessas ideais.
            Naturalmente que nenhum dos movimentos fascistas foram iguais, variando de país para país, mas suas concepções e práticas foram muito similares, e aproveitaram, em geral, uma profunda crise econômica, o descrédito nas instituições políticas e grande insegurança da população.
          Emilio Gentile, historiador italiano, descreve o fascismo em dez elementos constitutivos: 1) militarismo, com aparato policial que impede dissidência e usa o terror; 2) líder carismático, político com total poder dentro de uma estrutura hierárquica, o qual comanda e coordena atividades do partido e regime; 3) ética civil própria, fundada nos preceitos da dedicação, disciplina, virilidade e espírito guerreiro; 4) ideologia ‘anti-ideologica’, proclamada anti-materialista, anti-marxista, anti-liberal, antidemocrática, mas populista e pragmática se expressando por uma ‘nova forma de política’ como uma religião leiga com ritos e símbolos para socializar e aculturar; 5) totalitarismo, discriminação e perseguição de uma comunidade étnica e/ou moral, considerada inferior e fora da comunidade, sendo perigosa para a integração da nação; 6) Movimento de massas, uma adesão ampla e multiclasse, particularmente em setores médios, organizado por uma milícia partidária com a missão de ‘regeneração nacional’  e em estado de guerra com os adversários, para conquistar o monopólio do poder político por meio do terror, utilizando meios parlamentares e acordos, para destruir qualquer democracia parlamentar; 7) misticismo, cultura fundada no pensamento ‘transcendental’ de qualquer natureza (pode ser religiosa), concebida para a vontade do poder e exaltando o mito da juventude como artífice da história; 8) Supressão da liberdade sindical, utilizando o Estado para alianças entre setores produtivos numa colaboração com o regime, preservando a propriedade privada e as divisões de classe; 9) Política externa expansionista, baseada na exaltação e grandeza com objetivos imperialistas; 10) Partido único, selecionador dos quadros de direção para provimento de defesa armada com mobilização permanente de emoção e fé.
 Revela-se, assim, que o ocorre no Brasil é de fato um crescimento de movimentos fascistas e militarização da política. Não é novidade quando uma sociedade está em franca decadência desenvolver-se em seu seio essa concepção. Lembrando que ela foi a responsável pelo Holocausto, liderado pelos nazistas na Alemanha, que ceifou a vida de 6 milhões de seres humanos; também perseguiu e assassinou milhares de lutadores sociais, socialistas e comunistas, em vários países; provocou a II Guerra Mundial, o maior morticínio da história com mais de 50 milhões de vidas perdidas.
Enfim, o que se vê agora é talvez a reedição dos integralistas (movimento fascista após o golpe de Getúlio Vargas). No entanto, tal e qual aquela época, os trabalhadores brasileiros, progressistas e revolucionários, souberam enfrentar nas ruas essa ameaça, agora não será diferente. Como se dizia na Espanha franquista, NÃO PASSARÃO!

O CAPITALISMO CHINÊS E O SEU MUSEU DE GRANDES NOVIDADES!

idosa chinesa dorme ao lado da riqueza crescente

          Até bem pouco tempo se estampavam manchetes sobre as conquistas ou peripécias, ou até mesmo, as novidades da expansão do novo capitalismo na China. Sob a bandeira de um novo ciclo de desenvolvimento, eram apresentados os fluxos de investimentos estrangeiros crescentes dos capitais das empresas chinesas, a expansão de seus voluptuosos benefícios para os habitantes daquelas nações escolhidas. Investimentos nas mais diversas áreas, trazendo uma ‘nova’ e ‘pretensa’ rede de desenvolvimento para o maculado e venenoso capital das pobres nações. Aqui no Brasil, duas multinacionais chinesas, por exemplo, abocanharam o Pré-sal através de uma falsa licitação. Nada mais do que a velha publicidade para nos fazer acreditar em um novo mundo.
            Assim como a Inglaterra foi um atrativo investidor nas nações colonizadas e impediu a continuidade do comercio escravista que outrora fora seu financiador; assim como os novos capitais norte-americanos surgiram e cresceram para questionar o ‘velho colonialismo inglês’ em decadência e suas ‘antigas práticas’ para dar lugar ao eficiente estilo ianque; vemos passar pelos nossos olhos o domínio quase repetido dessa realidade nesse século XXI. Da aliança do Estado, antes protetor da população sob o regime socialista, com o grande capital internacional fez-se surgir o ‘grande capital chinês’, agora sedento de novos caminhos, na busca de hegemonizar o planeta.
    Por trás do teatro econômico se travam grandes batalhas pelo Capital. Nos bastidores se consolida um novo Império. Aqui e agora, sem armas. Mas, por pouco tempo. Ao se tornar um exportador de capitais, os capitalistas chineses, sendo pertencentes ao Estado ou aos grandes milionários privados, vão se movendo e dominando as companhias, matérias-primas, comércio, enfim, impondo seu poder aos seus fracos oponentes. Como bem dizia Lenin, “O que caracterizava o velho capitalismo, no qual dominava plenamente a livre concorrência, era a exportação de mercadorias. O que caracteriza o capitalismo moderno, no qual impera o monopólio, é a exportação de capital”. E completa: “A exportação de capitais repercute-se no desenvolvimento do capitalismo dentro dos países em que são investidos, acelerando-o extraordinariamente. Se, em consequência disso, a referida exportação pode, até certo ponto, ocasionar uma estagnação do desenvolvimento nos países exportadores, isso só pode ter lugar em troca de um alargamento e de um aprofundamento maiores do desenvolvimento do capitalismo em todo o mundo”. Por fim, “Os países que exportam capitais podem quase sempre obter certas "vantagens", cujo caráter lança luz sobre as particularidades da época do capital financeiro e do monopólio”.
Até 2002, a abertura da economia chinesa voltara-se para a atração de capitais e ampliação da eficiência de sua economia, assim como a exportação de produtos manufaturados de baixa ou média complexidade tecnológica. Ora, as disputas pelo comércio mundial lhe impôs uma necessidade para sua crescente produção industrial: o investimento nas nações que lhe vendem matérias-primas para obtenção de vantagens, tal qual lenin nos expunha há quase cem anos atrás. Agora, com a intensa crise vivida pelo moribundo modo de produção capitalista, qual a saída, para o capital chinês super acumulado nesse período de abertura com imensos subsídios do Estado?
Sem dúvida, a exportação de capitais. Agora, as aquisições, fusões, aplicações financeiras em outros países obrigam esses a negociarem com o grande capital chinês. Entre 2002 e 2012, a China multiplicou 33 vezes o volume de capitais aplicados em todo o planeta. Em 2011, em pleno turbilhão da crise, os capitais chineses migraram para 80 países.Adquiriu companhias enormes em todos os continentes e, segundo estudo o próprio governo chinês, pretende até 2020 investir US$ 800 bilhões nos países.
Nessa disputa, a resistência dos EUA ainda é muito grande. Embora o quadro dê a perspectiva de uma nova relação entre os países no que diz respeito à exportação de capitais, muita água ainda tem que rolar. Os EUA, principal exportador de capitais, possui ATIVOS da ordem de US$ 21 trilhões aplicados no planeta, o que lhe garante alto retorno financeiro para metrópole e os investimentos regulares de US$ 700 bilhões anuais. O volume de capitais estrangeiros nos EUA já é de US$ 26 trilhões. Tal realidade, garante uma clara hegemonia aos norte-americanos. Embora, por pouco tempo.
É bom lembrar o que está nascendo e o que está morrendo. Boa parte desses ativos que circulam nos EUA é de propriedade de bancos chineses. A China é o maior credor dos títulos públicos norte-americanos, detendo aproximadamente US$ 1,4 trilhão, o que lhe coloca em posição especial. Fora isso, possui uma poupança interna de US$ 4 trilhões. Isso significa que se o mercado financeiro, hoje ainda controlado pelo governo chinês, se abrir para uma maior rapidez das exportações desses capitais, esse volume necessariamente pode se multiplicar em 5 ou 6 vezes*, multiplicando os ativos chineses e impondo seu poder ao decadente, mas ainda poderoso, CAPITAL norte-americano.
Mas, surge uma pergunta: que significa a mudança do poderio norte-americano para o chinês? Disputa acirrada, guerras, pilhagens, mais exploração. Não há nenhum indicativo de mudança do capitalismo. Muitos até abençoam, acreditando numa mudança. Ledo engano. Qualquer imperialismo, ao se consolidar será o protetor das multinacionais, lembrando exatamente a superexploração sofrida atualmente pelos chineses.

No capitalismo, não há caminhos para a paz e igualdade. Prova disso é que o próprio governo chinês aumentou em mais de 80% os gastos militares nos últimos dez anos. Para defesa? Nem tanto. Os vintes anos futuros marcarão o capitalismo. Tomara que os povos tomem consciência dessa excrecência humana e ponham fim, colocando o CAPITALISMO, como afirmou muito bem Karl Marx, “ao lado do machado de bronze e da roda”, num Museu, mas sem nenhuma novidade.